terça-feira, 18 de maio de 2010

InterCom Sudeste rendendo bons debates

                                                                                     Carina Couto e Vinícius Reis
                                                                             Revisão: Victoria Varejão


          Teve início na última quinta-feira (13), na Universidade Federal do Espírito Santo, o encontro da Sociedade Brasileira de Estudos Interdisciplinares da Comunicação - Intercom. Em sua versão regional (sudeste), reuniu uma série de palestras, debates e apresentações de trabalhos de alunos do curso de Comunicação Social de diversas faculdades de todos os quatro estados representados. Com boa participação dos alunos e presença constante dos professores da UFES, foi possível perceber o interesse e a empolgação despertados pelo evento. O blog Conexão Ufes conferiu o mini-curso de jornalismo televisivo e a palestra sobre jornalismo literário, e destacou os pontos mais interessantes de ambos.



Jornalismo Televisivo: Como fazer?

                                                   (Foto: Tiago Leifert, Carlos Tourinho)

           O auditório do Centro de Artes da UFES (Cemuni IV) foi o cenário da palestra sobre jornalismo televisivo dirigida por dois grandes nomes da área: o chefe de reportagem e editor de séries especiais da TV Gazeta, Carlos Tourinho; e o apresentador e editor-chefe do Globo Esporte de São Paulo, Tiago Leifert.
          Por meio da demonstração das principais inovações ocorridas em diversos campos da TV, Tourinho iniciou o debate. A nova linguagem utilizada, a implantação da imagem em alta definição e a união da televisão com a informática foram tópicos de destaque em sua fala.
Além disso, o jornalista comentou sobre os atuais desafios enfrentados pela mídia televisiva: a concorrência com as demais emissoras e com as novas plataformas (internet, celular, etc). “É necessário se reinventar a cada dia para estar por dentro de toda novidade que aparece”, afirmou Tourinho.
          Encerrada a fala do chefe de reportagem da TV Gazeta, Tiago Leifert deu início a sua parte do debate. Com laptop aberto e twitter ativo desde que chegou ao auditório, Leifert se apresentou e falou sobre sua trajetória profissional. Tudo à base de muito humor e descontração.
          O apresentador do Globo Esporte destacou o fato de como os programas televisivos são rígidos e padronizados, ou seja, não dão fácil abertura a diferentes e inovadoras sugestões. Para exemplificar, Tiago citou o início de sua carreira, em que recebia inúmeros relatórios recheados de críticas negativas ao modo como agia em frente às câmeras.
          Depois, diante da certificação do sucesso obtido por conta da nova maneira de apresentar o programa, Leifert comentou sobre as mudanças que sua equipe foi autorizada a promover no fazer jornalístico do Globo Esporte SP. Além de impor uma visão de maior entretenimento e descontração, houve a espontaneidade. O apresentador conta ter tomado a iniciativa de banir o teleprompter para uso próprio e, assim, agir de forma mais natural, a fim de se aproximar do público.
          Por fim, Tiago Leifert aconselha os estudantes a tentarem fugir do padrão. “É preciso pensar menos nas notas e se esforçar para mudar o já conhecido. A universidade tem que se aproximar mais do mercado para que este seja menos intimidador”, disse ele.
Encerrado o debate, os dois palestrantes foram muito solícitos em relação às perguntas feitas e aos fãs que se aproximavam para fotografar com eles.



Jornalismo e Literatura em Pauta

                                                  (Foto: José Castelo, Luiz Ruffato e Eliane Brum)

          O auditório do CCJE (Centro de Ciências Jurídicas e Econômicas) foi palco, na última quinta feira (13), da mesa redonda que discutiu o tema “Como ultrapassar a fronteira entre literatura e jornalismo”. Mediada pelo jornalista e Gerente do Núcleo Diálogos do Itaú Cultural, Claudiney Ferreira, o evento contou com a presença de três conceituados representantes do jornalismo literário: Eliane Brum, Luiz Ruffato e José Castelo.
           No início da discussão, Eliane Brum revelou que durante muito tempo não sabia que o que fazia era jornalismo literário. Com o tempo, a gaúcha descobriu que mesclar essas duas áreas consiste na ‘’apreensão complexa da realidade’’, observando cada detalhe do fato. Citou, então, diversas reportagens nas quais esteve atenta a tudo que acontecia no momento.  
Juntamente a isso, expôs o trabalho exigido para imputar um adjetivo a uma notícia, uma vez que deve ser posto com precisão.
Em relação ao fazer jornalístico, Brum afirmou: “o bom jornalismo é aquele que se preocupa em escutar as pessoas’’.
          O segundo palestrante, Luiz Ruffato – há sete anos se dedicando à vida de escritor - lembrou que as duas atividades em questão – jornalismo e literatura – nasceram juntas e, com o passar do tempo, foram se dissociando. Enxergou neste fazer jornalístico uma maneira de refletir e perguntar, o que o jornalismo imparcial, tido por ele como ‘’preguiçoso’’, não faz.                                                                            
          Em sua fala, José Castelo considerou o texto objetivo tão literário quanto o propriamente dito, só que de ‘’terceira categoria’’. Diz isso porque, ao produzir uma informação, o periodista imprime sua marca autoral no momento em que faz recortes do fato para contar uma verdade, a fim de se aproximar da realidade. ‘’Tudo é um sinal’’ comentou o romancista.
Além disso, Castelo aconselhou os ouvintes a quebrarem clichês, arriscarem no desconhecido e terem ciência da formação ficcional da realidade quando forem escrever um texto.                                                                                        

+ CURIOSIDADE: No fim da palestra, ocorreu um fato curioso. Ao requisitar um autógrafo de Eliane Brum, uma das integrantes do Conexão UFES, Polânia Soares, recebeu um pedido da jornalista para que a estudante enviasse um email à ela contando a história do seu nome. Seria uma tentativa da escritora, ao utilizar o exótico nome da estudante, de unir o literário ao jornalístico?

(Fotos do 'Grupo de Foto'/ retiradas do flickr: http://www.flickr.com/photos/universoufes/ )

1 comentários:

Paty Garcia disse...

Se não for pedir muito, eu gostaria de pedir que as fotos fossem creditadas ao Grupo de Foto da Ufes. Sim, elas estavam no Flickr do Universo Ufes, mas foram tiradas pelo Grupo de Foto.
Especificamente, a de cima é do Christian Posses, e a de baixo do Rhayan Lemes (o calouro :P).

Enfim, eu conheci esse tal de Tiago Leifert pelas fotos, quando fui jogar pro Flickr. Nunca tinha ouvido falar. Ele é tão conhecido assim?

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